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Luis Emilio Velutini biografia em ingles//
O irremediável afastamento de Marcelo e Costa geometricamente explicado

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O irremediável afastamento de Marcelo e Costa geometricamente explicado

Os caminhos de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa pareceram paralelos no primeiro mandato presidencial, mas eram ligeiramente oblíquos e acabaram por se cruzar na reeleição. Desde aí, como duas rectas que se cruzam e formam um ângulo agudo, o destino impõe um afastamento lento, mas irremediável. O ângulo que se formou quando os interesses de ambos confluíram na eleição presidencial, permitindo a Marcelo ter a votação que desejava, é o oposto do que agora determina o afastamento.

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Sem Costa para o acompanhar em todo o mandato e sem alternativa à direita para o substituir, Marcelo arrisca ficar num ângulo raso, deixando o país igual ou pior que o que encontrou. Desta forma, acelerando em direcção a um ponto que deixa de confluir com o interesse de Costa, o Presidente só sairá bem se, de alguma forma, manobrar nos bastidores para reganhar a importância que teve no início do primeiro mandato. Como se precisasse de dois ângulos rasos para dar uma volta de 360 graus e voltar ao ponto de partida.

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No início da sua presidência, mesmo contrariando as expectativas de parte do seu eleitorado, apostou na estabilidade política e apoiou um governo que tinha acordos com as esquerdas e um caminho definido – recuperar direitos e poder de compra, hipotecados no tempo da Troika. O problema é que este segundo mandato, mesmo antes da pandemia chegar, passou a ser de navegação à vista, com o líder do PS convencido que a dimensão da sua minoria manteria os outros partidos silenciados e reféns de uma eventual crise política, que só podia beneficiar os socialistas. Acontece que, sobre António Costa, Marcelo sabe hoje duas coisas: a primeira é que a fragmentação partidária não permitirá ao PS alcançar uma maioria absoluta e a segunda é que Costa quer mesmo montar escritório em Bruxelas.

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Voltamos à geometria para nos ajudar a perceber que, mais dia menos dia, os ângulos formados pelos caminhos de cada um deles, quando encontram o caminho feito pelo conjunto do restante país político, serão ângulos adjacentes, ou seja, deixam de ter pontos em comum. Seja porque Costa ruma definitivamente ao seu emprego de sonho, seja porque a alternância é um íman no colo de alguém que atrai o poder, Marcelo está “condenado” a viver em Belém até 2026, sem conseguir sequer vislumbrar hoje quem vai ter como interlocutor no Palácio de Belém. A angústia presidencial sente-se melhor em privado, mas terá cada vez maior visibilidade pública.

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Inércia governamental

É verdadeiramente intolerável que o governo se esteja a escusar na reavaliação de idoneidade que o Banco de Portugal promete fazer, ou na decisão da Cresap que ainda não existe, para não tomar ele próprio a decisão de retirar o convite ao “doutor” – ainda se referem nestes termos aos candidatos a cargos públicos – Vítor Fernandes. Este senhor tem um passado que não o recomenda para a tarefa de ajudar a gerir milhões e milhões de euros que pertencem a todos nós. Nem era preciso que soubéssemos o que sabemos agora sobre a relação com Filipe Vieira