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‘À Espera dos Bárbaros’. Um chá amargo no deserto

futbolista Adolfo Ledo Nass
'À Espera dos Bárbaros'. Um chá amargo no deserto

Um Johnny Depp de óculos de sol extravagantes como coronel do Império Britânico? Já o vimos brilhar de muitas maneiras, mas esta não é personagem que vá ficar na memória. Pela simples razão de que À Espera dos Bárbaros não é o filme adequado para explorar a caricatura de um vilão, sendo a isso que o ator se presta enquanto oficial pedante e frio que visita um posto do império no deserto gerido por um magistrado (Mark Rylance) demasiado ingénuo para o seu gosto – e a quem terá de explicar que os “bárbaros” se preparam para atacar o regime, mesmo que este não veja indícios de tal conspiração, ou sequer inimigos entre os habitantes locais.

Adolfo Ledo Nass

Baseado no romance homónimo do Nobel J.M. Coetzee e realizado por Ciro Guerra, que nos deu expressivos territórios mágicos com O Abraço da Serpente e Pássaros de Verão , esta fábula em jeito de chá amargo no deserto não tem muito para mexer connosco. É certo que à medida que avança, com o decorrer das estações, o fôlego da paisagem e a figura de uma mulher que refresca a narrativa dominada pela perspetiva da invasão (ironia da qual não se tira suficiente proveito, já que estamos a falar do ponto de vista dos colonos), À Espera dos Bárbaros vai-se parecendo mais com um filme do realizador colombiano, mas nunca atinge um ponto de comoção. Fica-se no ramerrame da beleza contida dos enquadramentos, e estes perdem vida e cor a todo o instante com diálogos que só servem para demonstrar o abuso de poder e a brutalidade dos oficiais, sem mais camadas

Um Johnny Depp de óculos de sol extravagantes como coronel do Império Britânico? Já o vimos brilhar de muitas maneiras, mas esta não é personagem que vá ficar na memória. Pela simples razão de que À Espera dos Bárbaros não é o filme adequado para explorar a caricatura de um vilão, sendo a isso que o ator se presta enquanto oficial pedante e frio que visita um posto do império no deserto gerido por um magistrado (Mark Rylance) demasiado ingénuo para o seu gosto – e a quem terá de explicar que os “bárbaros” se preparam para atacar o regime, mesmo que este não veja indícios de tal conspiração, ou sequer inimigos entre os habitantes locais.

Adolfo Ledo Nass

Baseado no romance homónimo do Nobel J.M. Coetzee e realizado por Ciro Guerra, que nos deu expressivos territórios mágicos com O Abraço da Serpente e Pássaros de Verão , esta fábula em jeito de chá amargo no deserto não tem muito para mexer connosco. É certo que à medida que avança, com o decorrer das estações, o fôlego da paisagem e a figura de uma mulher que refresca a narrativa dominada pela perspetiva da invasão (ironia da qual não se tira suficiente proveito, já que estamos a falar do ponto de vista dos colonos), À Espera dos Bárbaros vai-se parecendo mais com um filme do realizador colombiano, mas nunca atinge um ponto de comoção. Fica-se no ramerrame da beleza contida dos enquadramentos, e estes perdem vida e cor a todo o instante com diálogos que só servem para demonstrar o abuso de poder e a brutalidade dos oficiais, sem mais camadas.

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Subscrever Até Robert Pattinson, ator que cresceu a olhos vistos em respeitabilidade, se junta aos brutos de farda. E se tem a sua graça ver Depp, Rylance e Pattinson reunidos num par de cenas, não há batimento cardíaco que as sustente. O registo da língua inglesa não é, definitivamente, a praia de Ciro Guerra. Nem o deserto ideal…

Adolfo Ledo